Você já se perguntou por que alguns produtos são fabricados sob encomenda, enquanto outros estão sempre disponíveis nas prateleiras? Ou por que certos itens demoram meses para serem entregues, enquanto outros chegam no mesmo dia? Por trás dessas diferenças existe um conceito essencial: a estratégia de fabricação.
Esse conceito é central para a Engenharia Industrial, pois define como um produto será produzido, considerando variáveis como volume, variedade, qualidade, custo e tempo. Neste post, vamos explorar as principais abordagens adotadas pelas indústrias — sob medida, padronizada e mista — e como elas se relacionam com o ciclo de vida do produto, a estrutura organizacional e as necessidades do mercado.
O que define uma estratégia de fabricação?
A estratégia de fabricação é mais do que um método de produção — é uma decisão estratégica que determina como a empresa vai alinhar seus recursos e processos para atender à demanda do mercado. Entre os fatores considerados estão:
- Volume de produção
- Variedade e complexidade dos produtos
- Qualidade exigida
- Custo esperado
- Tempo de entrega
- Ciclo de vida do produto
Esses fatores, combinados, moldam a forma como cada produto será produzido. Um avião, por exemplo, exige uma abordagem completamente diferente de um saco de cimento ou de um smartphone.
As Três Grandes Estratégias
1. Produtos Sob Medida (Customizados)
Essa abordagem é voltada para produtos únicos, com design específico para cada cliente. Normalmente são projetos complexos, de alto valor agregado, que não seguem uma linha de montagem padrão. O foco aqui não está no custo, mas sim na qualidade, precisão técnica e prazo de entrega.
Exemplos típicos: tanques, skids, plantas industriais e equipamentos sob encomenda ou projetos especiais.
Características principais:
- Produção unitária ou em baixíssimo volume.
- Fabricados sob encomenda (Make-to-Order).
- Alta complexidade técnica e necessidade de adaptação.
- Maior tempo de entrega, devido ao desenvolvimento do projeto.
Essa estratégia exige times altamente qualificados, engenharia detalhada e grande flexibilidade produtiva.

2. Produtos Padronizados (Acessórios)
Na outra ponta estão os produtos com design fixo e produção em grande escala. O objetivo aqui é eficiência e baixo custo unitário, com disponibilidade imediata para o mercado. Poucas mudanças são feitas ao longo do tempo.
Exemplos comuns: pé de equipamento, abraçadeiras suporte, adaptadores e outros
Características principais:
- Produção contínua ou em massa.
- Fabricados para estoque (Make-to-Stock).
- Pouca ou nenhuma variação no design.
- Menor custo por unidade.
Esses produtos se beneficiam da automação e do controle de processos, com ganhos logísticos e de escala.



3. Produtos de Estratégia Mista (Componentes)
Entre os extremos está a produção mista. Ela busca um equilíbrio entre variedade e eficiência, oferecendo opções ao cliente, mas mantendo certa padronização nos processos.
Exemplos notáveis: placas de fluxo, filtros, trocadores de calor
Características principais:
- Produção em lote, com várias versões de um mesmo modelo.
- Design modular, que permite personalização limitada.
- Mudanças frequentes de versão, lançamento de novos modelos.
- Balanceamento entre custo, prazo e flexibilidade.
A estratégia mista é ideal quando há uma base de produto comum, mas o cliente valoriza diferenciação.

Ciclo de Vida do Produto e a Estratégia de Fabricação
A estratégia escolhida costuma estar alinhada ao estágio do ciclo de vida do produto:
| Estágio | Características | Estratégia Ideal |
| Introdução | Baixo volume, alto risco | Sob medida |
| Crescimento | Aumento da demanda | Mista |
| Maturidade | Alta escala, estabilidade | Padronizada |
| Declínio | Queda de vendas | Redefinição ou descontinuação |
Um mesmo produto pode transitar entre estratégias ao longo do tempo. Por exemplo, um novo tipo de carro elétrico pode começar como sob medida, crescer em volume com modelos variados e depois se tornar um produto padronizado na fase de maturidade.
Fatores Adicionais na Escolha da Estratégia
Além do produto e de seu ciclo de vida, outros elementos influenciam diretamente a definição da estratégia:
- Concorrência: pressiona por custo, disponibilidade ou diferenciação.
- Tecnologia: pode permitir novos formatos produtivos (como impressão 3D).
- Preferência do cliente: maior ou menor exigência por personalização.
- Capacidade interna da empresa: limitações técnicas ou operacionais.
- Estrutura organizacional: empresas mais flexíveis tendem a operar melhor em estratégias mistas ou sob medida.
Conclusão
A escolha da estratégia de fabricação é um dos pilares da Engenharia Industrial. Mais do que uma decisão técnica, ela é estratégica — e deve considerar o mercado, os recursos da empresa e os objetivos de longo prazo.
Produtos sob medida entregam soluções únicas, produtos padronizados oferecem disponibilidade e custo baixo, e a estratégia mista tenta conciliar o melhor dos dois mundos.
Para quem atua com processos, projetos, produção ou gestão, entender essas estratégias é fundamental para tomar decisões acertadas, alinhar expectativas e garantir que o produto certo chegue ao cliente, no tempo certo, com a qualidade esperada e de forma competitiva.
Posts Relacionados
Engenharia Industrial #007 – Estrutura Organizacional: Tipos e Características
Engenharia Industrial #009 – Estrutura Organizacional: Organização por Processos e Produtos