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No post anterior, Os 12 passos para calcular a espessura mínima de um tubo reto de aço inoxidável conforme normas ASME B31.3 (Equação 3a), vimos como determinar a espessura mínima de um tubo reto de aço inoxidável conforme o ASME B31.3, utilizando a Equação (3a), para um caso real de 60 bar (6 MPa) e 80 °C.

Esse cálculo é o ponto de partida de praticamente todo projeto de tubulação.
Mas, na prática, quase nenhuma linha é totalmente reta.

Curvas, desvios e mudanças de direção fazem parte da realidade da fábrica — e é exatamente por isso que o código dedica um item específico ao tema: o 304.2 – Curvas e Curvas de Gomo (Curved and Mitered Segments of Pipe)

Neste post, vamos entender o que muda no dimensionamento quando o tubo deixa de ser reto, com foco em curvas fabricadas a partir do próprio tubo, que é o cenário típico da tubulação sanitária em aço inox.

Curvas em tubulações: o que muda no dimensionamento quando o tubo deixa de ser reto – ASME B31.3 – Secção 304.2
ASME B31.3 – Figura 304.2.1 Nomenclatura Tubo Curvado

1. O ponto de partida continua sendo o tubo reto

A primeira coisa que precisa ficar clara é:

O ASME B31.3 não cria uma nova equação de pressão para curvas.

A espessura mínima por pressão:

Ou seja, a curva nasce de um tubo que já foi corretamente dimensionado.

Exemplo base do post anterior

Até aqui, nada muda.


2. Então por que o código separa tubo reto e curva?

Porque, mecanicamente, um tubo curvado não se comporta como um tubo reto.

Durante o processo de curvamento, ocorrem fenômenos importantes:

O resultado prático é simples:

A espessura que governa a resistência da curva é a menor espessura após a curvatura — normalmente no extrados.

É exatamente isso que o código quer garantir.


3. Como o ASME B31.3 trata curvas (Seção 304.2)

O item 304.2 parte de um princípio claro:

Uma curva é aceitável se, após a curvatura, a espessura mínima da parede ainda atender à espessura exigida por pressão.

Ou seja:

A norma deixa explícito que:


4. 304.2.1 – Curvas em Tubulação (Pipe Bends): Introdução do fator geométrico

Para curvas fabricadas a partir do próprio tubo (pipe bends), o ASME B31.3 introduz o fator geométrico de curvatura I, que corrige o cálculo da espessura mínima conforme a posição analisada na curva.

A espessura mínima requerida após a curvatura, no acabamento final, é dada pela Equação (3c):

Onde:


5. Como calcular o fator I

O valor de I depende da posição considerada na curva.

Intrados (raio interno da curva)

Extrados (raio externo da curva)

Linha neutra (raio da linha de centro)

Onde:

Onde:

Como regra prática:


6. Exemplo numérico – continuidade direta do tubo reto (60 bar)

Vamos manter exatamente o mesmo exemplo da série.

Dados

Assumindo uma curva sanitária típica:

Fator I

Espessura mínima requerida no extrados


7. Interpretação correta do resultado

No post do tubo reto, a espessura mínima requerida por pressão foi da mesma ordem de grandeza.

Isso mostra algo fundamental:

Para curvas com raio adequado, o tubo reto continua governando o dimensionamento por pressão.

O §304.2 não existe para aumentar espessura automaticamente, mas para garantir que:

não violem o dimensionamento já feito pelo 304.1.


8. Curva de tubo × cotovelo comercial (304.2.2)

Sistemas industriais em geral

Tubulação sanitária em aço inox

Na tubulação sanitária, a curva não é um componente separado — ela é o próprio tubo deformado.


9. O que não se aplica à tubulação sanitária

O item 304.2.3 – Miter Bends trata de curvas segmentadas.

Embora previstas no código:

Por isso, não fazem parte do escopo desta série.


10. Checklist prático para curvas em aço inox sanitário

Antes de aprovar uma curva, verifique:

Se sim, a curva atende ao ASME B31.3.


Conclusão

Curvar um tubo não muda a pressão interna, mas muda a forma como a parede resiste a ela.

O ASME B31.3 trata isso de forma clara:

Entender esse raciocínio evita dois erros comuns:

No próximo post da série, avançaremos para o item 304.3 – Derivações (Branch Connections), onde o tubo deixa de ser apenas curvado e passa a ser perfurado, introduzindo um novo desafio estrutural.


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