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Seção 304.3.3 – Reinforcement of Welded Branch Connections

No anterior da série, vimos quando o ASME B31.3 permite usar os métodos simplificados para dimensionamento de derivações.
Agora entramos no caso mais comum de campo: derivação soldada diretamente no tubo principal — a clássica boca de lobo (stub-in / stub-out).

Aqui, a lógica do código é objetiva:

O §304.3.3 faz isso por meio de um balanço de áreas:

Área requerida (A1) ≤ Área disponível (A2 + A3 + A4)


Dados do exemplo (continuidade da série)

Condições de projeto

Geometria

Boca de Lobo ASME B31.3 – Seção 304.3.3

Passo 1 – Antes de calcular: o método se aplica ao seu caso?

O ASME B31.3 estabelece, no §304.3.1, que os métodos do §304.3.2 a §304.3.4 só são válidos quando, entre outros critérios:

Exemplo (nosso caso)

Resultado: Podemos aplicar o §304.3.3.


Passo 1 — Espessuras requeridas por pressão (th e tb)

O §304.3.3 utiliza as espessuras de projeto por pressão, calculadas pelo §304.1 (Equação 3a):

1.1) Header— th (D = 50,8 mm)

1.2) Branch — tb (D = 38,1 mm)

Nota:
Mesmo com 20 bar, as espessuras requeridas ainda são bem menores que a espessura real do tubo (1,5 mm), o que é típico em sistemas sanitários de baixa a média pressão.


Passo 2 — Comprimento efetivo removido (d1)

Para boca de lobo pipe-to-pipe, o código define:

Como β = 90° → senβ = 1:


Passo 3 — Zona de reforço (d2 e L4)

Antes de calcular áreas, o ASME B31.3 precisa definir onde o reforço pode ser considerado válido. Essa região é chamada de zona de reforço.

Nem toda a espessura do tubo pode ser “creditada” como reforço. O código limita o reforço a uma região geométrica específica ao redor do furo, para evitar que áreas muito distantes sejam indevidamente consideradas.

3.1) O conceito de d2 — largura da zona de reforço

O parâmetro d2 representa metade da largura efetiva da zona de reforço, medida ao longo do eixo do tubo principal, para cada lado do eixo da derivação.

O código define que essa largura deve ser suficiente para redistribuir as tensões ao redor do furo, mas não pode crescer indefinidamente.

Por isso, o ASME B31.3 estabelece que o parâmetro auxiliar x (que define d2) seja o maior entre:

Mas com uma limitação importante:

Em nenhum caso x pode ser maior que o diâmetro externo do tubo principal (Dh).

Formalmente:


Interpretação:

Aqui o código está dizendo: “Use uma zona de reforço larga o suficiente para compensar o furo, mas nunca maior do que o próprio tubo.”

Aplicando ao nosso exemplo

Logo:

d₂ = 35,1 mm

Isso significa que a zona de reforço se estende 35,1 mm para cada lado do eixo da derivação ao longo do tubo principal.

3.2) O conceito de L4 — altura da zona de reforço fora do tubo principal

Além da largura ao longo do tubo, o código também limita quanto da espessura “para fora” do tubo principal pode ser considerada como reforço.

Esse limite é dado por L4, que representa a altura máxima da zona de reforço fora da parede do tubo principal.

O ASME B31.3 define L4 como o menor entre:

Onde:

Formalmente:

Aplicando ao exemplo

Interpretação:
Aqui o código limita a “altura” do reforço porque a contribuição estrutural diminui rapidamente à medida que nos afastamos do furo.


Passo 4 — Área requerida A1 (o débito estrutural)

Aqui está o coração do método.

Ao abrir um furo no tubo principal, você remove uma faixa de material resistente.
A área A1 representa exatamente quanto de material foi estruturalmente “retirado” da parede do tubo.

Por isso, o ASME B31.3 define:

Interpretação:

No nosso caso (β = 90°):

Esse é o “débito estrutural” que precisa ser compensado.


Passo 5 — Áreas disponíveis (A2, A3 e A4)

Agora o código verifica de onde pode vir o “crédito estrutural”.

A2 — Excesso de espessura no tubo principal

A área A2 representa a parte da parede do tubo principal que é mais espessa do que o mínimo exigido por pressão e que está dentro da zona de reforço.

Interpretação:
Se o tubo foi fabricado mais espesso do que o necessário, essa diferença pode ser usada como reforço, desde que esteja dentro da zona permitida.


A3 — Excesso de espessura no tubo da derivação

A área A3 é o reforço “emprestado” pela própria derivação.

Interpretação:
A derivação também possui uma espessura maior do que a mínima exigida por pressão, e parte dessa espessura contribui para reforçar o furo, desde que esteja dentro de L4.


A4 — Metal adicional (soldas e reforços)

A área A4 representa reforço adicionado intencionalmente, como:

No exemplo:


Passo 6 — Verificação final

Critério do código:

Substituindo:


Conclusão

Com 20 bar, a boca de lobo ainda atende ao §304.3.3, mas agora com margem bem menor do que nos exemplos de baixa pressão.

Esse é exatamente o ponto que o código quer evidenciar:

É justamente aqui que os repuxos (extruded outlets) começam a se destacar — tema do próximo post da série (§304.3.4).

A boca de lobo “empresta” resistência do tubo.
O repuxo cria resistência por geometria.

E essa diferença muda tudo.


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